O bom senso manda evitar qualquer personagem que use turbante. Sendo assim, o Carnaval deste ano ainda será dominado pelo bloco do mensalão. As máscaras de Roberto Jefferson, Marcos Valério, Lula, Antônio Palocci, José Genoino e Severino Cavalcanti são as mais procuradas pelos foliões.
Só na Ladeira Porto Geral, na região da 25 de Março, existem três lojas especializadas em fantasias (July Toys, Festas e Fantasias e Millôr). Lá, o folião pode esconder o rosto com apenas R$ 2. As máscaras mais caras, de látex, saem por até R$ 12.
"A gente quer descontar a raiva do ano todo. Por isso, os políticos são as vítimas do Carnaval. Tem de esculhambar com esse povo mesmo", disse Reginaldo Oriundi Souza, 33 anos. "Quem ri por último ri melhor, né? Temos de ridicularizá-los nesse Carnaval", completou Roberta José Marins, 54.
As máscaras de Marcos Valério e Severino Cavalcanti pouco se parecem com seus respectivos homenageados. Lula e Roberto Jefferson são representados com mais fidelidade. Mas a surpresa da temporada é mesmo o ministro da Fazenda Antônio Palocci. "Tem uma boa saída. O pessoal acha engraçado pular Carnaval fantasiado de alguém tão sério", disse uma vendedora da loja Festas e Fantasias.
Dos caricaturáveis, quem anda em baixa é o ex-presidente do PT José Genoino. As mascaras encalhadas transformam os vendedores em analistas políticos: "Ele sumiu do cenário. Ninguém mais lembra da cara dele", disse um deles.
Outro detalhe curioso é que máscaras do prefeito José Serra e do governador Geraldo Alckmin não são encontradas nas prateleiras. "Se o pessoal pedir, a fábrica faz", completou o vendedor que não quis se identificar.
Carnavalesca de longa data, Teresinha Campos, 80 anos, procurava em vão uma máscara bem específica. "Eu queria me fantasiar de Juscelino Kubitschek. Achei que com o seriado da Globo seria fácil encontrar. Acho que me enganei. O pessoal só quer saber de pegar no pé do Lula e da turma dele", reclamou a foliã.
Nos últimos carnavais, Osama Bin Laden reinava soberano. O líder da Al-Qaeda aparecia mais do que os tradicionais pierrôs e colombinas. Esse ano, porém, a coisa mudou. Depois que as charges de Maomé, publicadas em um jornal dinamarquês, deflagraram uma onda de violência, ninguém quer saber de provocação religiosa. "Não tem por que mexer com isso. Vou evitar fantasia de qualquer figura do Oriente Médio", contou o estudante Frederico Senna, 29 anos.
Os preferidos das crianças são os super-heróis. Até agora, o Homem-Aranha é o mais vendido. Ainda assim, os tradicionais "piratinhas" têm o seu público cativo. Os personagens de terror também estão em alta, principalmente a máscara do serial killer que aparece na trilogia do filme Pânico.