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Segunda-feira, 20 fevereiro de 2006   edições anteriores
Esportes
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  Sem dó, nem consideração

Vou te contar. Tem casos de tenistas que dão vontade de sentar e chorar. O descaso com os organizadores dos torneios - que são, no fim das contas, aqueles que colocam o dinheiro em seus bolsos - é uma brincadeira. Guillermo Coria, que era o principal tenista do Brasil Open, alegou dores no braço para pular fora. Isso após uma inesperada derrota em Buenos Aires, na semana passada, para o espanhol Ramírez Helgado?! Parece muito mais um caso de indignação consigo mesmo do que de dores.

O espanhol Carlos Moyà utilizou um velho artifício. Não se inscreveu e pediu um convite aos organizadores, o que em si já é uma chantagem à qual os maiores torneios não têm de se sujeitar. Se o tenista quer jogar, que se inscreva e os convites ficam para casos especiais e necessitados. Como Moyà foi à final em Buenos Aires, deve ter achado que já estava bom demais. Mandou um muito obrigado e avisou que não vinha. Os organizadores, que divulgaram a presença do rapaz, ficam com cara de tacho. No fim das contas não tenho certeza qual atitude é pior, mas nenhuma das duas presta muito.

Gustavo Kuerten pegou o melhor jogo que a sorte poderia lhe oferecer - enfrenta André Ghem, um brasileiro ainda em formação. Teoricamente, Ghem não deve passar de um bom coadjuvante. Mas é bom sacador, algo que sempre incomodou Guga - que ainda é uma incógnita.

Se vencer uma partida dessas é um pouco mais do que a obrigação, na segunda rodada, contra o peruano Luis Horna ou o espanhol Alberto Martín, o catarinense será testado.

Ricardo Mello enfrenta o costarriquenho Juan Marín, que não é nada demais - nem de menos. André Sá pega alguém do qualifying, o que pode ser sorte, mas nem sempre. Especialmente no caso de Sá. Flávio Saretta terá seu dia de vingança contra Juan Carlos Ferrero, que o bateu em um jogão em Buenos Aires (para o técnico Jaime Oncins, faltou pouco para a vitória. Saretta pode aproveitar o fato de que Ferrero teve semana longa, ao ir à final na Argentina. Marcos Daniel deve pensar o que teria feito aos deuses para pegar o aguerrido chileno Nicolas Massu no terceiro torneio seguido. Especialmente porque perdeu nos dois anteriores.



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