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Tumulto em show deixa 3 mortos e 42 feridos
A apresentação do conjunto mexicano RBD na manhã de ontem, no estacionamento do hipermercado Extra, na Zona Sul, acabou em tragédia. O local tem capacidade para receber 2 mil pessoas, mas havia 20 mil, segundo a PM. Assim que a banda começou a se apresentar, a multidão avançou em direção ao palco. Quem estava na frente foi pisoteado. Pais desesperados passaram a tarde em hospitais atrás de informações
GILBERTO AMENDOLA e
CAMILIA ANAUATE
Três pessoas morreram e pelo menos outras 42 ficaram feridas durante uma apresentação do grupo mexicano RBD, formado por atores da novela Rebelde, sucesso de audiência no SBT. Foram identificados até agora os corpos de Fernanda Silva Pessoa, de 13 anos, e Cláudia Cristina Oliveira Souza, de 38. A terceira vítima tem aparentemente 12 anos e não havia sido identificada até a noite de ontem. Até as 18h, os integrantes da banda não tinham sido informados sobre as mortes.
O RBD realizaria uma manhã de autógrafos, que se transformou em um pequeno show, no estacionamento do hipermercado Extra, na Avenida Guarapiranga, na Zona Sul. O evento estava marcado para as 11h de ontem, mas desde sexta-feira vários fãs se aglomeravam no local. A capacidade do estacionamento é de 2 mil pessoas. A estimativa da PM é que 20 mil estavam lá. "Se podia entrar mil e entraram mais, os organizadores é que são os responsáveis", disse o tenente-coronel da PM Jorge Luiz Alves.
O empurra-empurra começou assim que o grupo subiu ao palco. Mas o ápice do tumulto ocorreu quando os cantores apresentavam a segunda canção. "Quando começaram a segunda música, pararam no refrão e foram tirados do palco, assustados com o tumulto", relatou Alan Lima Júnior, de 11 anos. Uma onda de fãs avançou em direção ao palco. Quem estava na frente não pôde resistir ao impacto da multidão e acabou pisoteado. A grade, que separava o público dos artistas, também foi ao chão.
Quem esteve lá relata que a situação foi desesperadora: havia pessoas chorando, gritos de socorro e muitos adolescentes perdidos. Muita gente desmaiou e os bombeiros começaram a jogar água na multidão. Ainda segundo alguns fãs, as ambulâncias só apareceram depois da tragédia consumada.
As vitimas fatais chegaram ao hospital Regional Sul com parada cardiorrespiratória, em decorrência do pisoteamento. O diretor do hospital, Dirceu Yoshiaka Kanaguchi, afirmou que sua equipe tentou reanimá-las, sem sucesso. "As roupas das meninas estavam cheias de marcas de solas de sapato. Elas apresentavam escoriações pelo corpo".
Às 14h, pais desesperados ainda procuravam suas filhas no estacionamento. Inconformados, eles reclamavam da falta de informação sobre os nomes das vitimas e os locais para onde elas estariam sendo levadas. Havia pares de sapato jogados pelo chão e vários documentos perdidos.
Das 42 vítimas e três mortos, 33 foram atendidas no Hospital Regional Sul (três continuavam em observação até a noite de ontem); cinco no Hospital do Campo Limpo; três na Santa Casa de Santo Amaro; três no PS Santo Amaro e uma no Hospital do Grajaú, todos na Zona Sul.
Durante a tarde de ontem, o movimento de familiares em busca de informação no Hospital Regional Sul foi intenso. Uma aglomeração de pais desesperados formou-se em frente ao pronto-socorro. Por volta das 14h30, uma funcionária apareceu com uma lista com o nome de pessoas atendidas ali.
A cada nome anunciado, alguns respiravam aliviados, enquanto outros choravam. Os familiares das vítimas fatais reconheceram os corpos no hospital. Estavam em estado de choque e foram atendidos por assistentes sociais. Logo após o acidente, alguns fãs teriam invadido a faixa de ônibus da Avenida Guarapiranga quando uma van com vidros escuros se aproximou. Segundo policiais que estavam no local, uma nova tragédia poderia ter acontecido ali.
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